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Sobre a obesidade

Embora ao longo dos séculos, observações esporádicas relacionarem a obesidade com risco de morte súbita e precoce, para muitas pessoas, inclusive médicos, o excesso de peso representava apenas um problema de ordem puramente estética e era, até recentemente, pouco valorizado como um problema de saúde.

 

Entretanto, nos últimos vinte anos, uma enorme quantidade de estudos e observações estatísticas tem comprovado que a obesidade é uma doença grave, que determina um risco acentuado para o desenvolvimento de várias outras doenças, causando risco de morte precoce e reduzindo a expectativa e a qualidade de vida dos indivíduos afetados.

 

Além da sua gravidade, a obesidade vem apresentando um aumento assustador na sua incidência. Dados estatísticos comprovam que entre 1974 e 1997, no Brasil, a obesidade aumentou de 2,5% para 7% entre os homens acima de 20 anos de idade e entre as mulheres o aumento foi de 7% para 13%. Nos Estados Unidos, atualmente, estima-se que 30% da população adulta esteja obesa, e a doença vem, cada vez mais, afetando crianças e adolescentes, o que representa uma expectativa assustadora para a humanidade nos próximos 25 anos.

 

Devido a isto, a Organização Mundial de Saúde está considerando a obesidade uma doença crônica, e alertando aos Serviços de Saúde de todos os paises no sentido de elaborarem estratégias para conter o avanço desta verdadeira epidemia.

 

O que é Obesidade?

O corpo humano e composto em sua maior proporção, entre 60 e 80%, de água. Além da água, existe o que chamamos de massa magra, que são basicamente os ossos, musculos e outros tecidos e aquilo que chamamos de massa gorda, que é o tecido adiposo.

Considera-se obesidade como o acúmulo no organismo de uma quantidade anormal de tecido adiposo – gordura – . Existem várias maneiras de determinar a quantidade de gordura no organismo.

Entretanto, muitos destes métodos são caros, de difícil execução e portanto impossíveis de serem utilizados em larga escala na população. Assim, por ser um método de fácil aplicação e de precisão bastante aceitável, o diagnóstico da obesidade é feito utilizando-se o Índice de Massa Corporal – o IMC - . Este índice é calculado dividindo-se o peso do indivíduo em quilos, pela sua altura, em metro, elevada ao quadrado. Exemplo: individuo com 80 kg e 1,70 m de altura, divide-se 80 por 1,7 ao quadrado ( que dá 2,89), encontrando-se um valor igual a 27,68. Este é o IMC deste indivíduo. A seguir, joga-se este valor na tabela 1, e sabemos se o individuo é normal, tem sobrepeso ou apresenta obesidade.

A Doença Obesidade

O principal problema da obesidade é que, o acúmulo excessivo de gordura no organismo determina um aumento acentuado na possibilidade do individuo obeso desenvolver uma série de doenças graves. Estas doenças, relacionadas com a obesidade, são chamadas de co-morbidades. Entre as doenças mais comumente relacionadas com a obesidade estão o Diabetes mellitus do tipo 2, a Hipertensão Arterial e as alterações das gorduras no sangue – as dislipidemias. Estas três condições, geralmente agrupadas num mesmo indivíduo, condicionam um enorme risco de morte por doença cardíaca – o infarto agudo do miocárdio – ou cerebral, os chamados derrames cerebrais. Além destas doenças, os obesos estão mais propensos a apresentarem certos tipos de câncer, cálculos de vesicula, cirrose hepática, doenças ósseas e articulares, gota, e outras.

Além dos problemas de saúde, deve-se também considerar os aspectos negativos da obesidade sobre a auto-estima dos indivíduos, tornando-os também muitas vezes discriminados socialmente, dificultando-lhes a acesso ao mercado de trabalho, às diversões e outras formas de discriminação.

Um aspecto interessante da obesidade é que, tão ou mais importante do que o excesso de peso – medido pelo IMC -, a forma como a gordura se distribui no corpo do indíviduo é um importante fator preditivo do risco de doenças. Observa-se nitidamente que indivíduos nos quais a gordura se acumula na região do abdomem apresentam risco muito maior de complicações do que aqueles nos quais a gordura se localiza nas regiões mais periféricas do corpo, com nádegas, coxas e quadril.

Isto fez com que se considere dois tipos diferentes de obesidade: a obesidade abdominal, central ou andróide (maçã), e a obesidade periférica ou ginecóide (pera). Para se diferenciar estes tipos, ou até mesmo para se caracterizar o acumulo de gordura na região abdominal, se lança mão de medida da cintura, o que é feito passando-se uma fita métrica em volta da cintura, à altura do umbigo e medindo-se o perimetro abdominal da pessoa. Homens com cintura acima de 102 cm já apresentam risco muito alto de complicações, sendo que para mulheres considera-se risco alto acima de 88 cm.

Ambulatório de obesidade e cirurgia Bariátrica do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes

Visando avaliar o impacto da obesidade numa população de indivíduos que são acompanhados no Ambulatório de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do HUCAM, analisamos a incidência de diabetes, hipertensão arterial , dislipidemia e Síndrome metabólica em 249 pacientes portadores de obesidade mórbida - IMC > 40 kg/m2 cadastrados no Serviço. Deste total, cerca de 206 indivíduos eram do sexo feminino (82,7%) e 43 eram do sexo masculino (17,3%) sendo que 162 tinham IMC entre 40 e 50 e 87 pessoas tinham IMC acima de 50, os assim chamados super-obesos.

Desses doentes, 87,8% apresentavam hipertensão arterial sistêmica; 73,8% síndrome metabólica; 57,1% dislipidemia; 23,4% diabetes mellitus tipo II.

Baseado na análise da amostra estudada, observamos que a obesidade determina uma prevalência elevada de fatores de risco relacionados à doença cardíaca. Estes fatores são independentes do sexo dos indivíduos, e afetam pessoas numa faixa de idade baixa – a média de idade da população analisada é de 37 ± 12 anos - .

Conclui-se, portanto que a obesidade é uma doença grave, que encerra risco de mortalidade elevada e precoce. Assim, é uma doença que deve ser tratada de forma agressiva, pois sabemos que a perda de peso é a única forma de reverter este quadro e proporcionar um aumento na qualidade e na duração da vida dos indivíduos afetados.

Texto escrito por:
Dr. Perseu S. Carvalho Prof. Adjunto do Departamento de Clínica Médica da U.F.E.S.
Coordenador do Ambulatório de Obesidade Endocrinologista da Equipe de Cirurgia Bariátrica
(27) 3325-2385/3346-2010

 

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produzido por Lucas Coradini