fisioterapeuta

Dra. Ana Maria Pinto Gatto
PSICÓLOGA

O paciente não é obeso porque quer! É importante tomar consciência das motivações que levam uma pessoa ao descontrole na sua forma de se alimentar. O sofrimento a que chegam os obesos, faz com que eles se agarrem à cirurgia bariátrica (instrumento para perda de peso) como a grande tábua de salvação de seus problemas e dificuldades.

Os doentes precisam compreender que o resultado final da cirurgia dependerá de como o operado irá utilizar esse instrumento. Ninguém emagrece efetivamente sem reorganizar a vida e preparar-se para isso. A idéia mais comum de quem vai fazer a cirurgia bariátrica é de que “vai acordar magro”, a primeira decepção que pode ocorrer.

A cirurgia da obesidade ajuda o paciente a frear sua compulsão e dá a oportunidade da pessoa reaprender a se relacionar com sua alimentação de forma adequada e saudável.
É a cirurgia bariátrica , a mola propulsora para uma mudança que o paciente necessita em sua vida , que determina a manutenção prolongada da perda de peso e diminuição das doenças associadas , bem estar psicológico , melhor integração social e consequentemente uma melhor qualidade de vida.

Quando o paciente toma a decisão de ser operado e começa a sua preparação, tendem a surgir mudanças em seu comportamento. A sensação de fracasso de diversas tentativas prévias infrutíferas de emagrecimento, vai desaparecendo. Surge um novo sentimento : sente-se mais feliz, mais confiante. Livra-se do sentimento de impotência que sua obesidade lhe dava.

Entretanto, mesmo com a cirurgia , os fatores que desencadeavam a motivação para ingesta alimentar acima do consumo calórico, podem continuar presentes e dificultarem um resultado excelente. O comportamento do paciente após a cirurgia é importantíssimo , pois pode interferir diretamente no resultado da mesma. As dificuldades em lidar com as emoções continuam. Caso essas dificuldades não forem elaboradas, podem surgir outras saídas, como transferir a compulsão do comer para outros “escapes”.

“A obesidade é muito mais do que um ato de comer” . Fazer a cirurgia sem o preparo psicológico , seria mexer somente no ato do comer e não no conteúdo latente , ou seja , as idéias , os pensamentos , as emoções e os problemas continuam na vida do paciente.
Diversos estudos mostraram a importância da avaliação e preparo psicológico no pré-operatório.

O acompanhamento pós-operatório permite um pleno apoio psicológico ao paciente durante sua sucessão de reformulações, mudança da imagem corporal e no relacionamento com as outras pessoas. Auxilia o paciente a conhecer e compreender melhor a si mesmo, envolvendo-se e participando efetivamente no processo de emagrecimento e na criação de uma nova identidade. O ato cirúrgico é o começo de uma nova vida!!!