Vitória - ES - Telefones: (27) 3235-2323 / (27) 3345-8344

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Cirurgia Bariátrica

Obesidade é definida como índice de massa corporal (I.M.C.) igual ou superior a 30. Pode ser classificada conforme o I.M.C. em níveis de gravidade (tabela 1). Muitas vezes é vista equivocadamente como um problema primariamente cosmético, sendo de fato, doença com etiologia multifatorial, morbidade elevada e de tratamento complexo.

 

A doença obesidade é uma epidemia mundial. Nos Estados Unidos (E.U.A.), aproximadamente 5% da população (15 milhões de pessoas) têm obesidade grau II com comorbidades ou obesidade grau III, sendo a epidemia de maior prevalência naquele país.

 

A obesidade está relacionada a diversas comorbidades (tabela 2) e problemas psicológicos, sociais, matrimoniais e sexuais. Problemas econômicos diversos estão relacionados à doença, restrições à ascenção na carreira profissional são evidentes na obesidade mórbida; os custos com tratamento da obesidade e suas comorbidades consomem 5.4% e 7.5% dos gastos em saúde na Alemanha e E.U.A., respectivamente.

Classicamente, o tratamento da obesidade é clínico. Entretanto, exercícios, dietas e drogas oferecem baixos índices de sucesso a longo prazo nos doentes obesos mórbidos. Para este grupo, a cirurgia bariátrica é a principal ferramenta de perda de peso substancial e duradoura que a medicina oferece na atualidade.

 

Cirurgia bariátrica (baros = peso) inclui várias técnicas operatórias utilizadas para a redução acentuada do índice de massa corporal, com manutenção do peso a longo prazo. Os objetivos finais principais da cirurgia bariátrica são: diminuição da mortalidade relacionada à obesidade mórbida, redução / controle das comorbidades e reintegrar o obeso mórbido à sociedade. Essa modalidade de cirurgia é uma valiosa ferramenta para a perda de peso que depende do esforço do paciente.

 

O tratamento cirúrgico da obesidade mórbida tem demonstrado resultados cada vez mais compensadores com perda de peso eficaz associado a níveis reduzidos de mortalidade operatória. Tal fato, deve-se à evolução e padronização das técnicas , melhoria da qualidade do material utilizado (bandas, grampeadores, etc...) e avanços no suporte clínico pós-operatório. Desta forma, muitos doentes que outrora tinham destino sombrio devido às comorbidades e conseqüente mortalidade associadas à obesidade, agora, recuperam-se com novas perspectivas de um futuro com saúde e longevidade.

 

As intervenções bariátricas, apesar de relativamente seguras, também oferecem aos doentes riscos que devem ser considerados. A indicação para cirurgia bariátrica deve ocorrer de forma compartilhada entre equipe interdisciplinar, paciente e familiares. A cirurgia é indicada quando os benefícios suplantam os riscos, e isto ocorre na presença dos seguintes critérios: I.M.C. igual ou superior a 40, I.M.C. entre 35 e 40 na presença de comorbidades, falência prévia de tratamentos não cirúrgicos, ausência de alterações endócrinas causadoras de obesidade mórbida, estabilidade psíquica e risco cirúrgico aceitável. O paciente e familiares devem ter entendimento de como funcionam as cirurgias (instrumentos para a perda de peso), deve existir cumplicidade (não há garantias no resultado), ausência de abuso de álcool e uso de outras drogas. O compromisso no acompanhamento com a equipe é essencial para obtenção de bons resultados.

A preparação para a cirurgia bariátrica requer a realização de exames bioquímicos e hematológicos, endoscopia digestiva alta com teste de urease, ultrassonografia de abdome, avaliação cardiológica, avaliação e orientação com nutricionista e psicóloga. Eventualmente, outros exames e avaliações podem ser necessários no pré-operatório.

 

Reuniões mensais do programa de cirurgia bariátrica são educativas e abertas para pacientes, amigos e familiares interessados. Contam com a exposição de endocrinologista, nutricionista, psicóloga e cirurgião. A interação entre os doentes operados em várias fases de emagrecimento e os candidatos à intervenção é o ponto alto da reunião.

 

Esclarece dúvidas, fornece informações práticas e contribui para o entendimento adequado do processo cirúrgico ao qual o doente será submetido. As pedras angulares do sucesso das intervenções bariátricas são: o preparo adequado para a cirurgia, acompanhamento pós-operatório rigoroso pela equipe interdisciplinar (que deve durar toda a vida), e a percepção de que transforma-se não somente o peso, a absorção de vitaminas e minerais, mas também a “válvula de escape” e a auto-imagem desses indivíduos.

Preparação cuidadosa não é sinônimo de risco zero.

 

Apesar da melhora dos resultados obtidos na última década (responsável pela aceitação da cirurgia como método de escolha para tratar obesidade mórbida), as operações tem limitações inerentes à própria técnica operatória. A morbidade operatória (probabilidade de complicação em 30 dias) é de 10 a 25%, incluindo seromas, hematomas, infecções de ferida operatória, atelectasias pulmonares, pneumonias, trombose venosa profunda, tromboembolismo pulmonar, fístulas (abertura dos grampos ou suturas), peritonite, aderências, bridas, hérnia interna, obstrução intestinal, hérnia incisional, reoperações e problemas diversos (hipertermia maligna, rabdomiólise, choque anafilático, insuficiência renal , arritmias cardíacas, dentre outros) decorrente do uso de medicações e do próprio ato cirúrgico / anestésico.

 

As complicações importantes no pós-operatório tardio são pouco freqüentes, principalmente nos doentes que fazem acompanhamento e utilizam a suplementação vitamínica prescrita. A mortalidade (probabilidade de óbito) situa-se entre 0,5 e 2% na maioria dos trabalhos publicados e varia conforme a técnica utilizada e o tipo de paciente (superobesidade e comorbidade importante aumentam o risco) devendo cada caso ser considerado individualmente.

 

 

Conteúdo Relacionado

produzido por Lucas Coradini